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Archive for the ‘Artigos’ Category


Texto original disponível no blog ‘Transição’, do nosso vizinho Luís Queirós.

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«Em tempo de carnaval, a oportunidade para revisitar um tema fundamental do nosso tempo.
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Num ensaio intitulado “ Do progresso, sua lei e suas causas” o filósofo inglês Herbert Spencer, que viveu no século XIX, escreveu: “Na Sociedade, no Governo, na Indústria, no Comércio, na Linguagem, na Literatura, na Ciência e na Arte, o progresso esteve sempre associado a um processo de evolução, através de sucessivas transformações, do mais simples para o mais complexo. Essencialmente, o progresso tem consistido na transição do homogéneo para o heterogéneo.”
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Na verdade as sociedades primitivas eram muito simples na sua organização, havendo entre os seus membros muito pouca diferenciação de funções. Quase todos eles se ocupavam da caça ou da recolha dos alimentos que a natureza oferecia. E, nessas sociedades, a escolha das chefias baseava-se no processo natural de seguir o mais forte ou o mais apto.
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A domesticação de animais e plantas permitiu criar excedentes alimentares. Esse facto conduziu à sedentarização e fez aparecer na sociedade outras funções, as quais, numa primeira fase, eram de carácter religioso, militar ou administrativo. Mais tarde o desenvolvimento da indústria e do comércio trouxe os artesãos, os mercadores, os médicos, os artistas e os escritores. Surgiram depois os banqueiros, os agiotas e os prestamistas.
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E as sociedades foram-se tornando, pouco a pouco, mais estruturadas e diferenciadas. Em particular, a nossa civilização global é caracterizada por uma extrema complexidade, traduzida na especialização, na diferenciação de funções, e na existência de acentuadas hierarquias entre os seus membros. O todo é suportado por uma panóplia de ferramentas, de equipamentos e de infra-estruturas de apoio, interligadas pela rede informática, pela rede eléctrica e pela rede de comunicações. E onde existe uma grande interdependência entre as vários partes do sistema organizativo.
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Esta sofisticação traz consigo algumas desvantagens como, por exemplo, o acréscimo do risco de ruptura de um ou vários elementos do sistema, o qual fica, assim, mais vulnerável. E a complexidade tem ela própria, inerente, um custo de manutenção, que está associado a um “input” energético sempre crescente, exigido para a alimentar.
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A questão da complexidade crescente na evolução (num sentido não necessariamente darwinista) tem sido tratada por vários autores. Um deles, Joseph Tainter, no seu livro “O colapso das sociedades complexas”, aborda a importante relação da complexidade com o colapso. Sugere mesmo uma definição de colapso, que para ele é “uma rápida redução da complexidade”.
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A tese de Tainter pode resumir-se à seguinte ideia: quando a introdução dum acréscimo de complexidade num sistema exigir um custo superior ao benefício que ela produz, o sistema tende a colapsar. É o próprio autor que nos explica o conceito: “Em civilizações antigas que tive oportunidade de estudar, como foi o caso do Império Romano, verifiquei que o maior problema que elas enfrentaram foi quando tiveram de suportar custos muito elevados, apenas para manter o “status-quo”. Tinham de investir enormes somas para resolver problemas, sem retorno positivo. Muitas vezes apenas para manter o que já existia. Isto reduziu a vantagem de ser uma sociedade complexa”.
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Na extrema sofisticação que caracteriza o nosso mundo “civilizado”, convém não ignorar estes princípios. No século XXI, o mundo vai ter de ocupar-se a manter e reparar as grandes estruturas criadas no século passado. Isto com um custo que, em certos casos, pode ser superior ao custo de as construir. E não devemos esquecer que as sociedades complexas são mais propensas ao aparecimento de acontecimentos insólitos e impactantes, como foi o caso do 11 de Setembro (aquilo que Nassim Taleb designou como “cisnes negros”).
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A este propósito ocorre perguntar: por que não valorizar mais as coisas simples? Já lá vai o tempo em que as castanhas assadas se embrulhavam em papel de jornal, em que nas nossas aldeias se criavam animais, em que o queijo e os enchidos se curavam ao calor das lareiras. Em nome sabe-se lá de quê, criaram-se normas para complicar as coisas, inclusive um organismo (a ASAE) para as fiscalizar e fazer aplicar.
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A acreditar em Tainter, o futuro pode ser bem mais promissor para as sociedades simples. Afinal foram os Bárbaros que venceram os Romanos.»
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Há uns meses atrás um casal de jovens recém-chegados a Telheiras decidiu contactar a ART. Dentro desta incubadora de projectos de vizinhos, o Cineclube de Telheiras foi-se desenvolvendo e, no mês passado, nasceu oficialmente.

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No seu repertório, para além das sessões de cinema, tem oferecido (gratuitamente) aos vizinhos de Telheiras concertos de Azevedo Silva, Projecto Rurouni e Cipriano Mesquita. . Todos muito diferentes, e todos espectaculares! Entrar na ART num dia de concerto do Cineclube é entrar numa realidade à parte e perguntar «será que estou mesmo em Telheiras?». O ambiente tranquilo, a luz acolhedora, o calor da sala, a qualidade dos artistas que por lá têm passado… hmmm é como os figos ali da horta e bem diferente do que estamos habituados.

Como se não bastasse organizar estas pérolas, este pessoal encarrega-se de compilar reportagens para os que não puderam estar presentes:

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No próximo sábado, às 17:30, é a vez da Diana e do Pedro animarem as hostes na ART, depois de já terem passado pelo I Festival de Telheiras (2008) e pela peça “Casas” do teatroàparte (o grupo de teatro do bairro) em 2009. Mais tarde, às 21:30, na Biblioteca de Telheiras, Mostra de Curtas Nacionais: ‘Temperar a Gosto’, ‘Noiserv Sessão Dupla’ e ‘Aqui Jaz a Minha Casa’.  

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Não deixem de visitar: http://cineclubetelheiras.blogspot.com/

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E pronto, é assim que as pessoas vão fazendo de Telheiras um bairro.

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O Cineclube deixou-nos como mensagem de ano novo: «Contorna a crise e realiza os teus sonhos em 2012

E nós agradecemos. E vamos ao concerto. E às curtas.

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Os últimos (e próximos?) dias na Grécia têm-nos mostrado e reavivado as memórias colectivas do que acontece quando o colectivo social está desequilibrado, pouco coeso, quando os contratos sociais rompem. Nos últimos meses tem havido muitos sinais por todo o mundo de que as roturas andam por aí, e esta semana é na Grécia, que já está do lado de cá do Mediterrâneo (e não esquecendo que a Grécia é um berço da nossa democracia).

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Nos últimos meses – já fez mais de um ano – algumas comunidades portuguesas têm-se ligado ao movimento de transição (uma rede internacional de iniciativas comunitárias). É um movimento que, não inventando nada de extremamente novo ou complexo, essencialmente reúne pessoas e maneiras de pensar e de agir que estimulam comunidades mais coesas e confiantes, mais resilientes e com melhores capacidades de adaptação em situações de mudança muito rápida ou de grandes choques.

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No fim-de-semana de 4 e 5 de Fevereiro, em Linda-a-Velha, celebraram-se o I Encontro de Iniciativas de Transição da Grande Lisboa (que reuniu umas 60 pessoas) e a V Encontro Nacional das Iniciativas de Transição, que reuniu representantes de 15 iniciativas de todo o país. A iniciativa de Telheiras também lá esteve, nos dois dias, com a particularidade de ter sido das únicas a chegar de bicicleta 😉 (Telheiras – Linda-a-Velha 45minutos).

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O I Encontro da Grande Lisboa foi sobretudo uma festa e um convívio, também uma preparação para a V Encontro Nacional, onde se pensou e debateu sobre a melhor forma como as várias iniciativas nacionais vão unir esforços. E claro, também com festa 🙂 Ficam alguns momentos:

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I Encontro da Grande Lisboa:

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V Reunião Nacional:

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Os fins-de-semana são, para muitos de nós, momentos de evasão e descanso. Os locais escolhidos vão sendo diferentes consoante o perfil de cada um, mas, seja qual for a opção, há sempre forma de o fazermos de forma sustentável e com o mínimo de impacto! Ficam aqui algumas sugestões muito simples:

– Ficar na cidade e aproveitar o que de bom esta tem para nos oferecer

 optar pelas deslocações de bicicleta ou a pé e conhecer cantos e recantos por onde o carro não passa nas semanais idas de casa para o trabalho;

 utilizar os transportes públicos para chegar mais rápido ou simplesmente para desfrutar do sentimento de ser mais um turista!

– Sair da cidade e ir para longe das buzinas e do fumo do tubo de escape

se vai em grupo, optar por partilhar o carro – a viagem é mais divertida, os custos são partilhados e se a viagem for longa, há mais opções de motorista;

 utilizar um mix de bicicleta e comboio – é preciso ter atenção aos horários e tipos de comboio, há alguns que não permitem a coabitação entre os dois meios de transporte;

apenas transportes públicos, sejam eles quais forem -conhecem-se novas pessoas, vêem-se outras paisagens, focamos a nossa atenção noutras coisas que não a estrada: um bom livro, música, dois dedos de conversa com o vizinho do lado ou mesmo uma refrescante soneca!

Seja qual for a opção, há que ser criativo na hora de escolher como ir! Os meios, são muitas vezes mais divertidos que os fins! Para quem tem crianças, algumas destas opções são autênticas actividades radicais 🙂 mas no domingo à noite, olhamos para trás….e valeu a pena!

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Hoje venho falar sobre outras formas de sustentabilidade não tão debatidas mas que não se podem esquecer: praticas sustentáveis das empresas.

Gostava de vos falar sobre aproveitamento de recursos. Para além dos habituais consumíveis há outros recursos que devem ser aproveitados: as pessoas!

O caso que conheço e que me fez ter vontade de escrever sobre isto é real e bem português. Uma PME de cariz industrial e vocacionada para a exportação, decidiu mudar a sua sede de Lisboa para uma localidade no interior do país para que os escritórios ficassem no mesmo local da unidade fabril. A primeira decisão sustentável foi o facto de se passar para metade os custos económicos e ambientais de ares condicionados, agua, luz, deslocações entre fábrica e escritório, entre outros que não vale a pena citar. Com esta mudança, houve lugar a novos recrutamentos para trabalho “de escritório” na tal localidade do interior. Podemos considerar esta, a segunda decisão sustentável visto que se queremos que as cidades deixem de ser o que conhecemos hoje, temos que tornar o resto do país habitável para quem quer exercer um trabalho especializado.

Como a empresa é vocacionada para o mercado externo era fundamental encontrar pessoas que falassem línguas, nomeadamente o alemão. Como devem imaginar, não há pessoas a falar fluentemente alemão e português no interior do país. A busca não se antevia simples mas a empresa decidiu mais uma vez olhar para dentro e perceber quais os seus recursos e a forma como os podia utilizar. Na planta da fábrica, trabalha um operário natural da Roménia que fala fluentemente alemão. Surge assim a terceira decisão sustentável: foi feita a entrevista, o candidato está apto para a função e sai da planta da fábrica para os escritórios com tudo o que isso tem de bom em termos de motivação pessoal, contributo para a empresa e acima de tudo o sinal que se dá de que não temos que andar sempre a ir buscar o novo. Podemos muito bem encontrar outras utilizações para o que já temos!

Na gestão de empresas, como na vida!

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Tenho notado desde há uns tempos que a sustentabilidade é como um bichinho que se aloja em nós e que do qual já não nos conseguimos livrar. Não é apenas em casa, ambiente tipicamente controlado, que podemos dar asas à nossa imaginação e arriscar na mudança de hábitos. Também no nosso local de trabalho, onde passamos a maior parte do dia, é possível fazer alterações pequenas mas que têm algum impacto. No meu caso, entre outras, optei por 3 medidas que me parecem muito simples:

– levar de casa uma chávena para o café juntamente com uma colher e dispensar os copos e pauzinhos de plástico descartáveis gentilmente cedidos pela empresa. O engraçado é que no inicio via alguns olhares incrédulos e, posso dize-lo, até de gozo, mas a verdade é que na minha copa (onde está a máquina do café), já somos 3 a dispensar o plástico. Próximo passo – passar dos pacotes de açúcar a um açucareiro comum!

– usar um cantil com água e dispensar as garrafas de água de 25cl gentilmente cedidas pela empresa. Para além de não fazer qualquer questão em beber água engarrafada, existe na copa uma fonte de água filtrada onde encho o meu cantil de água fresca. Se não tivesse esta fonte também não teria qualquer problema em abrir a torneira. Próximo passo – o meu cantil é de plástico (foi uma oferta) por isso pretendo arranjar um mais ecológico. No entanto a sustentabilidade também é dar uso ao que temos e não deitar fora só porque sim, por isso, até este dar, não vou comprar outro.

– levar o almoço de casa. Eu não gosto de cozinhar por isso não sou daquelas que se levanta mais cedo para fazer o almoço para o dia, nem que faz panelas de comida para dar para vários dias. No entanto, muitas vezes (quase todas) sobra alguma comida do jantar e em vez de a estar a comer no jantar do dia seguinte (porque deitar para o lixo está fora de questão) opto por trazer essa comida para o escritório. Desta forma diminuo o desperdício que é regra nos restaurantes (em que vem muito mais comida no prato do que aquela que de facto temos vontade de comer), diminuo os custos, como melhor e ainda tenho oportunidade de trocar receitas com outras pessoas que também trazem comida de casa. Próximo passo – trocar todos os recipientes da Tupperware angariados ao longo de vários anos, por recipientes em vidro. Mas a lógica continua a mesma…enquanto estes derem, não me apetece simplesmente pô-los de lado e ir comprar outros!

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Somos uns felizardos! Conseguimos, juntamente com uns amigos, encontrar um cantinho em Lisboa, onde podemos cultivar aquilo que comemos. Começámos no Inverno passado e tivemos no nosso frigorífico os seguintes alimentos: couves (de vários tipos porque não gostamos de estar sempre a comer a mesma coisa), favas, ervilhas, nabiças, cebolas, alhos, alfaces, espinafres, todos os tipos de chás e ervas aromáticas. Foi um Inverno cheio de migas e com uma favada das antigas, daquelas de fazer chorar por mais, partilhada entre amigos e que foi motivo de orgulho para os aspirantes a agricultores! Agora que é chegado o Verão, a actividade agrícola vai de vento em popa! Temos courgettes, beringelas, pimentos, pepinos, alfaces, tomates (de variedades conhecidas, outras que não conseguimos identificar tão bem), morangos, cebolas, alho francês, rabanetes, uma pequena meloa, nabiças, feijão sendo que os chás e as ervas aromáticas lá continuam! O engraçado disto tudo é que não comprámos muitas coisas para semear ou plantar. Quando entramos no estranho mundo das mãos na terra, as coisas parece que vão surgindo: ora é um vizinho de horta que dá umas plantas em excesso, ora é um familiar que se lembra de nós e também nos dá os excessos de qualquer produção de um quintal algures no interior do país, ora são as senhoras do mercado que recebem o dinheiro de 8 plantas e nos mandam 12…não vá o diabo tece-las!

A verdade é que nestes assuntos de horta tudo é importante: o que comemos que é mais saudável e apetitoso, o que poupamos (no nosso caso, contam-se pelos dedos de uma só mão as vezes que lá em casa, fizemos massa ou arroz, ou outra coisa que não fosse fruto da nossa actividade hortícola), o que transformamos (quando há excesso de tomate; faz-se compota), o que partilhamos (amigos e familiares passaram a ter acesso a vegetais fresquinhos e substituíram-se alguns presentes de embrulho, por um saco cheio de coisas boas para comer), mas acima de tudo as pessoas que conhecemos e o que nos divertimos!

A horta substituiu o nosso ginásio e a mesa de café onde nos encontrávamos para estar uns com os outros – trocámos a chávena pela enxada 🙂 e até agora está a correr muito bem!

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